terça-feira, 15 de novembro de 2016

DEGRADAÇÃO HUMANA

Passei por baixo de um viaduto da cidade e vi diversas pessoas em situação de miséria. Estavam sujas, algumas dormindo e todas totalmente destituídas de qualquer condição mínima para viver dignamente.
Uma pergunta sempre me perturba: Quando e em quais circunstâncias essas pessoas permitiram que se iniciasse este processo de autodestruição? Uma decepção? Um vício? Problemas mentais? Ou meramente um desejo incontido de viver fora de qualquer padrão imposto pelo sistema que chamamos de vida?
Me incomodou também pensar que nos acostumamos com a miséria alheia, vemos a mesma como normal. É como se perdêssemos toda a sensibilidade.
Reconheço que pobres e miseráveis sempre existiram e imagino que sempre existirão. Todavia, como cidadão e cristão, não posso aceitar a insensibilidade com o que chamo de degradação humana.
Não posso resolver tudo, mas posso fazer minha parte.
O que cada um de nós deve fazer é descobrir qual é sua parte.

sábado, 29 de outubro de 2016

IGUALDADE DE GÊNERO

Uma longa e eventualmente raivosa discussão se apresenta quando o tema é a igualdade de gênero. Temas transversais e talvez desconexos surgem, tais como vestimentas, aborto, cristianismo, e muitos outros. Minha percepção, após quase três décadas de convívio e vinte quatro anos de casamento com uma mulher forte e decidida, é que devemos aceitar e inclusive lutar para que as mulheres recebam respeito e consideração.
É evidente que como homem não sou capaz de me aproximar do engajamento de mulheres que lutam por direitos e igualdade, mas tento fazer minha parte, como pastor, professor, filho, pai e cidadão, repudiando qualquer forma de inferiorização a qualquer mulher.
Percebo que eu e minha amada temos diferenças pontuais por eu ser homem e ela mulher, um exemplo é a rapidez dela e a minha lerdeza. Outra coisa é a capacidade dela de fazer diversas coisas ao mesmo tempo e eu apenas uma por vez. Na sensibilidade também a diferença é gritante, ela antevê situações que eu nem chego perto de notar.

Fora estas pequenas elaborações que nos diferenciam eu posso garantir que:
Sou a favor da igualdade de gênero nos salários.
Sou a favor da igualdade de gênero nas tarefas domésticas.
Sou a favor da igualdade de gênero na criação dos filhos.
Sou a favor da igualdade de gênero na ausência da violência.
Sou a favor da igualdade de gênero na participação política.
Sou a favor da igualdade de gênero na liberdade de pensamento e expressão.
Sou a favor da igualdade de gênero nas escolhas individuais.
E em tantas coisas que talvez eu nem tenha ainda percebido como é importante.

Em minha realidade funciona muito bem.
Sou um homem realizado por ver minha esposa desfrutando dos seus sonhos profissionais e pessoais. Quero mais é que ela desenvolva todos seus projetos.
Uma mulher que tem a oportunidade de desenvolver todo seu potencial é um tesouro, ou como trato a minha "UMA RIQUEZA".

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

INTERESSES COMERCIAIS

Recentemente li uma manchete num site de notícias (confiável), dizendo que, devido ao baixo índice de audiência, a principal emissora de televisão do país, iria diminuir a programação endereçada ao público evangélico. Me lembrei que as programações evangélicas nesta emissora haviam sido comemoradas como se fosse uma "vitória do povo de Deus". Nunca compartilhei deste sentimento triunfalista, para mim, tanto a rede em questão, quanto qualquer canal de comunicação, vive de audiência e se não houver, eles simplesmente mudam a grade. Estultícia da parte dos evangélicos imaginar que a mídia vai inseri-los por qualquer motivo que não seja a intenção de ganhar dinheiro, interesses econômicos no capitalismo estão acima de ideologia, religião e muitas vezes até da honestidade. 

sábado, 15 de outubro de 2016

PROFESSOR

Estou formalmente na docência desde 2009, professor de história, disciplina que amo. Lecionei em todas as turmas de fundamental II e ensino médio.
Atualmente minha atuação se restringe ao ensino médio e 7º ano do fundamental.
A experiência de ser professor é magnifica, sim há percalços e frustrações em algum momento, mas prefiro olhar para o impacto de minha profissão na formação de pessoas, sim, são mais que alunos, são pessoas que tem um cotidiano, um passado e um futuro.
Receber mensagens fora do horário dizendo que o que foi ministrado em sala foi cobrado num vestibular, ganhar mimos inesperados, ser surpreendido com conversas mais maduras que a própria idade, são pequenas bonificações que estão além do nosso salário.
Entendo as aflições de colegas que enfrentam três turnos em sala de aula, sem tempo para se dedicar aos estudos e pesquisas, e ainda tem que dar conta de preencher livros de chamada, formular e corrigir uma infinidade de provas e trabalhos.
Mas hoje gostaria de reafirmar a alegria em ser professor e o orgulho de ser parte deste imenso segmento de nossa sociedade.
Viva a docência, viva os professores.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

DANÇA NA HISTÓRIA E NA IGREJA

DANÇA NA ANTIGUIDADE
  • Rituais religiosos: afastar maus espíritos, reverenciar os deuses e pedir prosperidade na caça e na coleta.
  • Rituais de guerra: indígenas, aborígenes, africanos, Nova Zelândia (haka).
  • Celebrações: casamentos, 1ª menstruação, partos e funerais.
  • Entretenimento e humilhação a derrotados: escravos eram utilizados como entretenimento para divertir as famílias ricas e seus convidados.
  • Disciplina: Para os gregos, dançar também era um dos pilares da educação.


DANÇA MEDIEVAL
  • Com a força influente do cristianismo católico na Europa, as danças teatrais foram proibidas pela Igreja na tentativa de coibir movimentos muito sensuais.
  • Os dançarinos ambulantes preservaram a forma e levaram as apresentações até feiras e aldeias.


IDADE MODERNA
  • No século XIV, na época da peste negra o povo cantava e dançava nos cemitérios acreditando que afastariam os demônios e impediriam os mortos de espalhar a doença.
  • No renascimento, as danças começaram a retomar o caráter teatral de forma oficial.
  •  Época foi de abertura para a introdução de novos estilos como o sapateado e o balé, apresentados como espetáculos teatrais, onde passos, música, vestuário, iluminação e cenário compõem a estrutura.
  • No século XVII, o rei da França Luis XIV, denominava-se “Rei Sol”, por ter protagonizado, aos quinze anos, o papel de sol no Ballet de la Nuit, em 1653, primeiro dos vinte e seis balés que dançou como primeiro bailarino em seu reinado, só parando quando começou a envelhecer.
  • Em 1661, Luís XIV fundou a Accademie Royale de Musique, que abrigava uma escola de balé.


RELIGIÕES
  • Religiões afro, hindus, mesoamericanos, (etc) utilizam em seus rituais.
  • No judaísmo a dança sempre esteve presente.
  • Na Bíblia, conforme a “Concordância Bíblica Exaustiva” há 22 citações da palavra “dança” e suas variáveis.
  •  As temáticas bíblicas de dança revelam celebração e louvor.
  • A  única menção a dança como entretenimento é ruim.


[...] louvem-no com tamborins e danças, louvem-no com instrumentos de cordas e com flautas. Salmos 150:4

Então as moças dançarão de alegria, como também os jovens e os velhos. Transformarei o lamento deles em júbilo; eu lhes darei consolo e alegria em vez de tristeza. Jeremias 31:13

Quando os soldados voltavam para casa, depois de Davi ter matado o filisteu, as mulheres saíram de todas as cidades de Israel ao encontro do rei Saul com cânticos e danças, com tamborins, com músicas alegres e instrumentos de três cordas. I Samuel 18:6

No aniversário de Herodes, a filha de Herodias dançou diante de todos, e agradou tanto a Herodes que ele prometeu sob juramento dar-lhe o que ela pedisse. Influenciada por sua mãe, ela disse: "Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista". Mateus 14:6-8


DANÇA CONTEMPORÂNEA VEM CRESCENDO MAS,
  • Ainda cheia de estereótipos: Bailarina do Faustão X BBB.
  • Valorizada pela saúde: muitas academias estão implantando aulas de dança como forma de melhorar a saúde das pessoas.


O que a dança na igreja não é?
  • Não é para fracos.
  • Não é entretenimento.
  • Não é para esconder pessoas com questões de gênero não resolvidas.
  • Não deve sensualizar.
  • Não pode concorrer com outros ministérios.


Quais os grandes desafios para a dança na igreja?
  • Ser instrumento de adoração.
  • Ser instrumento de guerra.
  • Elevar a celebração ao patamar da excelência.
  • Agradar o coração de Deus.
  • Trazer a glória de Deus.
  • Santificar o altar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Olimpíadas! E depois?

O dia 5 de agosto de 2016 entrará para a história mundial e nacional devido ao início oficial dos jogos olímpicos no Brasil. Não sou contra a realização dos jogos, embora preferiria, como cidadão, ter sido consultado sobre a candidatura do país. Os políticos lideraram o processo do mesmo modo que fazem tudo, sem pensar na opinião da população.
Não sou morador do Rio de Janeiro, não tenho como mensurar a realidade das obras feitas para o evento, todavia tenho a impressão que o tal "legado" não será de benefícios para a população daquela cidade, mas de dívidas do setor público e mais arrocho tributário e maus serviços das redes estadual e municipal no que é mais primário a todos nós, saúde, moradia, educação, saneamento básico, transporte, enfim tudo que já sabemos, está no caos.
O filósofo Karl Marx defendia que a religião era o que deixava as pessoas num estado letárgico e sem reação para buscar melhorar sua condição de vida, sinceramente acho que o verdadeiro "ópio do povo" são os governos, conseguem criar mecanismos que fazem a população esquecer de coisas básicas, como o fato do país estar, simplesmente, em pleno processo de cassação de um mandato presidencial. Independente de ser contra ou favorável, o relevante é que o percentual de brasileiros pensando minimamente nisto, é baixo e ficará ainda menos durante as olimpíadas.
Logo após o grande evento esportivo mundial, os mesmos deslavados que não se importaram com a opinião e condição da população, estarão diante de todos nós solicitando nosso voto para novamente serem alçados a condição que pensam que tem, de  "autoridade", quando deveriam se enxergar como servidores da população.
Mas vamos lá, o melhor do Brasil é o brasileiro, que seguirá sua vida, bancando com certeza, o "legado das olimpíadas".

sábado, 23 de abril de 2016

REGIME MILITAR BRASILEIRO - Uma perspectiva

Os militares governaram o Brasil por vinte anos (1964 -1984). Foram cinco generais presidentes. A ascensão dos militares aconteceu através do que alguns chamam de golpe outros de revolução, para mim foram as duas coisas, especialmente pela deposição do presidente institucional, João Goulart, cuja cadeira foi declarada vaga estando ele ainda em solo brasileiro.
O governo militar tinha uma proposta intervencionista, alinhada com os propósitos estadunidenses, especialmente no período de Guerra Fria contra a União Soviética e num contexto onde recentemente Cuba vivenciara a revolução e aproximação com os soviéticos.
Para governar os militares estabeleceram uma política de exceção, com censura, prisões arbitrárias, ausência do legislativo em muitos momentos e uso da força. Um governo estabelecido sobre a força e que administra por decretos necessariamente vai atrair opositores e isto aconteceu durante a ditadura militar brasileira.
Para fazer oposição ao regime ditatorial muitos grupos partiram para se armar e ir ao confronto bélico, uma espécie de guerra civil, mas em proporções menores. Era impossível que não houvessem mortes em confrontos, além de assassinatos mesmo, tanto do governo quanto dos opositores.
Os métodos utilizados pelo regime é que devem ser questionados, são inaceitáveis as prisões arbitrárias, torturas para que acontecessem delações, assassinatos frios, expropriação de propriedades e sequestros. Os métodos dos opositores também não eram aceitáveis, roubos (expropriações revolucionárias), sequestros, guerrilhas e assassinatos. A justificativa de ambos os lados se assemelhava, os militares pretendiam proteger a pátria e os opositores queriam liberdade política.
Penso que o Brasil foi usado pela Guerra Fria e todos perderam. Não acredito que Jango iria levar o Brasil a um alinhamento com o comunismo (não tenho como cravar tal ideia), desta feita não vi como necessária a intervenção militar, mas a política e os interesses de época suplantaram uma necessária serenidade no contexto do país.
Deveriam ficar as lições para o país, especialmente que o retorno a um regime militar não é aceitável, muito menos necessário. A liberdade política, de pensamento e de expressão são premissas fundamentais e nos regimes ditatoriais inexistentes. Estamos numa democracia e o preço da mesma é ter que aceitar opiniões distintas. Infelizmente muitos querem liberdade de opinião, desde que todos pensem igual a eles.